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domingo, 14 de maio de 2017

Imagens de Rincón

Durante os últimos 33 meses, vivi com a família em uma cidade relativamente isolada no norte da Patagônia argentina, chamada Rincón de los Sauces. É uma cidade com muito pouca infraestrutura, localizada numa região árida e bastante inóspita, que existe devido a exploração de petróleo na região. Oferece, entretanto, excelentes oportunidades para fotografar paisagens diferentes do que se vê usualmente. Como paisagens é o que mais me agrada fotografar, pude praticar bastante, apesar de ter sido ainda menos do que eu gostaria.


A paisagem é muito diferente do que encontramos no Brasil, com uma predominância de pedras e montanhas, com muito pouca vegetação, como pode ser visto neste post com as fotos que considero melhores tomadas nas proximidades do lugar. Algumas delas podem ser vistas num álbum dedicado no Flickr, outras na minha conta do Instagram ou 500px, muitas em comum nas três redes sociais.


Corro o risco de ser repetitivo para quem já tenha visto as fotos antes, mas com o retorno ao Brasil, acho que o apanhado dá uma boa ideia do que era a região.



Mirante em Desfiladero Bayo, do lado Neuquén. 11mm, f/8.0, 1/5s, ISO 100

Bardas ao fundo do Cristo, na cidade. 41mm, f/8.0, 1/100s, ISO 400 

Nuvens antes do fim da tarde, ao fundo o vulcão Tromen. 50mm, f/11.0, 1/80s, ISO 100

Vista da cidade durante do fim da tarde. 17mm, f/8.0, 1/30s, ISO 400


Por do sol ao fundo do curso do Rio Colorado. 11mm, f/8.0, 0.5s, ISO 100

Caminho árido, de terra e pedras, entre Rincón e a Cordilheira dos Andes. 90mm, f/8.0, 1/200s, ISO 1600

Margem do Rio Colorado do lado de Mendoza. 14mm, f/22.0, 1/60s, ISO 100

Vista também do Mirante de Desfiladero Bayo. Ao lado anterior do rio fica a província de Neuquén e do lado posterior, a província de Mendoza. 60mm, f/8.0, 1/250s, ISO 100

Uma das inúmeras formações vulcânicas da vizinhança, esta localizada na área protegida do Vulcão Auca Mahuida.
50mm, f/8.0, f/250, ISO 100

Propriedade rural em meio a zona de produção de petróleo. 105mm, f/8.0, 1/160s, ISO 100



quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Resumo de 2016 e Planos para 2017

O ano de 2016 foi melhor que 2015 em termos de fotografia, foi possível consolidar alguns aprendizados e destaques do ano anterior (link) e avançar um pouco mais. Paradoxalmente, as oportunidades de sair exclusivamente para fotografar não foram maiores, enquanto houveram opções distintas à fotografia de paisagem. As viagens renderam posts para o blog em forma de projetos e outros objetivos do ano (link) puderam ser alcançados embora sem registro aqui. 

O fluxo de trabalho de pós processamento ficou mais bem organizado e consistente, combinando os diferentes softwares. Não ser profissional permite uma grande liberdade, mesmo não sendo tão prático e direto como usar o Lightroom como ferramenta principal. Basicamente, abro os arquivos RAW no Nikon View NX-i, em que é possível observar as fotos com as configurações da câmera, conferir onde ficou o ponto de foco e selecionar quais serão consideradas adiante. Fotos com má composição ou fora de foco já são descartadas nessa etapa. Se a foto a ser tratada está muito próxima do objetivo, processo o RAW no Nikon Capture NX-D, se precisa de ajustes maiores em exposição/cores/contraste/etc. o software usado é o DxO OpticsPro. O DxO FilmPack e o DxO ViewPoint ampliam bem as possibilidades de ajuste da foto. Com o RAW no ponto desejado, a foto é exportada em TIFF para acabamento no On1 Photo. Daí, é exportada como JPEG com resolução compatível com o objetivo da publicação: redes sociais, compartilhamento de imagem (Flickr ou 500px) ou impressão.

Ao fim do ano, uma sessão de fotos em casa permitiu praticar um pouco o uso do flash, considerações gerais para fotografia de retratos e despertar a atenção para o processo de impressão de fotos. Assim que um dos itens a estudar este ano seria o processo de impressão de fotos, de como garantir que a impressão saia como visualizado no monitor. Este já se encontra calibrado aparentemente de maneira satisfatória, enquanto necessito ainda maior incursão no que se chama soft proofing, que seria simular a impressão final do arquivo.

Não fiz um post de melhores do ano, mas convido novamente a quem interessar entrar nos meus perfis do Flickr e 500px e conferir o que foi publicado e, aproveitando o tema da impressão, deixo abaixo as 3 fotos que acabaram indo parar nas paredes da casa e 3 que foram fortemente consideradas. 

26mm, f/8, 1/125s, ISO 100

50mm, f/1.8, 1/125s, ISO 200

50mm, f/4, 1/60s, ISO 400

50mm (mais um crop forte), f/8, 1/250s, ISO 100

47.6mm, f/8, 1/100s, ISO 100

22mm, f/8, 1/200s, ISO 100

sábado, 10 de setembro de 2016

Paisagens de Mendoza - Projeto N° 03/2016

Neste post vou compartilhar a experiência do meu terceiro projeto do ano em mais uma viagem de conciliação de turismo e fotografia. A viagem para Mendoza era um pouco diferente da anterior, pois se trata de uma cidade grande, tendo a produção de vinho como um de seus maiores atrativos. Contudo, a parte de maior interesse fotográfico estava nas montanhas. Havia dois dias em que faríamos viagens para fora da cidade, um para a Reserva Villavicencio a aproximadamente 50 km da cidade, no outro, iríamos até a fronteira com o Chile, percorrendo um trajato de cerca de 180 km desde o centro da cidade.

Correndo o risco de ser repetitivo para quem já leu os posts anteriores, os objetivos fotográficos para esta viagem consistia em melhorar alguns aspectos identificados anteriormente (aqui), sobre os quais escreverei um pouco mais na sequência.

  • Cores: obter cores fiéis à realidade, ajustando o balanço de branco adequadamente no arquivo RAW posteriormente.
  • Exposição: obter melhores exposições considerando os limites de recuperação de imagem do sensor da câmera e fazer uso de filtro graduado de densidade neutra para equilibrar a luz.
  • Composição: tomar o tempo possível para pensar a composição, buscando melhor harmonia entre os elementos dentro do quadro. 
  • Foco: maximizar a profundidade de campo nas fotos para obter resultado mais nítido.


Cores


A época era fim de Maio, quando ainda não era inverno, mas já se podia observar muita neve nas montanhas. Diferente das paisagens da Ruta de los Siete Lagos, a vegetação é bastante escassa e mais no alto das montanhas, praticamente inexistente. Era fundamental conseguir um bom balanço de branco para poder ressaltar as poucas cores disponíveis. A cidade arborizada permitia também captar um pouco da coloração já de final de outono.

Parque San Martin. 35mm f/5.6, 1/200s, ISO 100.

Neve próximo à fronteira com o Chile. 24mm, f/8, 1/125s, ISO 100.

Exposição


Uma das coisas mais difíceis de conciliar em uma viagem não fotográfica é o horário das fotos, pois temos que aproveitar o momento e nem sempre (ou quase nunca) estamos em um local fotográfico ao nascer ou pôr do sol. Geralmente, temos que fazer o melhor possível com a luz do meio dia. Algo que me ajuda muito nesses momentos é o filtro graduado de densidade neutra, equilibrando um pouco o contraste imposto pela luz dura. O resultado é muito mais agradável e possibilita conseguir melhores cores. Para melhorar a fotometria, tentei aplicar o sistema de zonas dentro do possível, geralmente deixando as nuvens e/ou a neve com o fotômetro entre +1.7 EV e + 2 EV. Quando não acertava a exposição diretamente, o que era difícil conferir pelo LCD, deixava próximo o bastante para não introduzir ruído em leves ajustes no pós processamento.

Cena com sol bastante forte, filtro GND usado para balancear céu e terra.  17mm, f/8, 1/250s, ISO 100.

Cena com sol bastante forte, filtro GND usado para balancear céu e terra. Resultado de cores bem fiéis à realidade.  35mm, f/8, 1/250s, ISO 100

 Composição


O visual da viagem era incrível e, apesar de contraditório, acho bastante desafiador conseguir fotos boas quando a paisagem é assim tão fácil. Então, buscava dispor o assunto de maneira a tornar a imagem mais interessante do que uma simples foto de montanha coberta de neve. Encontrar o melhor ponto, conseguir posicionar-se ou armar o tripé demanda um certo tempo que nem sempre temos neste tipo de viagem.

Trilhos, pedestre, tambor e placa compondo cena com as montanhas. 50mm, f/8, 1/100s, ISO 100.

Usando as linhas da estrada. 14mm, f/8, 1/160s, ISO 100.

Foco


O ideal para fotos de paisagem, quando se quer colocar o máximo possível em foco, é escolher a distância hiperfocal para a cena. Sem entrar muito no mérito do assunto, que poderia ser tema para um tópico completo, para cada distância focal e abertura existe uma distância que maximiza a profundidade de campo quando se focaliza nela. Na prática, tentava usar uma regra geral de focar em um ponto a aproximadamente 1/3 do final da cena. O uso de grande angular e abertura pequena ajudam muito neste caso. 

Córrego entre montanhas no Parque Provincial Aconcagua. 17mm, f/8, 1/125s, ISO 100.

Estrada com montanhas ao fundo. 82mm, f/8, 1/400s, ISO 100.

Um pouco de tudo


Os melhores resultados, sem dúvida são os que conseguimos reunir as condições técnicas com os objetivos que se tem em mente, levando a um resultado acima da média. Neste sentido, escolheria a foto abaixo como a que mais me agradou entras as tantas realizadas.

Trilhos e postes em meio à cordilheira dos andes. 22mm, f/8, 1/200s, ISO 100.

Experimentar um pouco no pós processamento também pode resultar em coisas interessantes, sair um pouco do comum. Algo que comecei a testar e que uso muito pouco, mas que gosto quando é compatível com o assunto é a simulação de filmes disponibilizada por alguns programas. No caso da imagem abaixo, utilizei uma simulação de filme do DxO Filmpack para dar um tom velho à imagem de uma cena com vegetação de arbustos, praticamente marrom.

Caminho para a Reserva Villavincencio. 35mm, f/8, 1/320s, ISO 100.

Checklist


Uma maneira de conseguir consistencia nos resultados é criar um checklist de itens que fazem diferença quando saímos determidados a fazer algum tipo de fotografia. É algo muito importante, principalmente, quando não se fotografa com tanta frequência e que pode fazer a diferença entre uma foto bem sucedida e perder todo um esforço. Para fotos de paisagem, comecei um checklist pessoal que certamente se transformará em um post quando estiver mais completo.

  • Tripé - fundamental, usar sempre que possível.
  • Desligar o VR quando a câmera estiver montada sobre o tripé
  • Manter ISO o mais baixo possível
  • Filtros GND - utilizar sempre que envolva cenas com alto contraste, como envolvendo céu e terra
  • Filtro polarizador circular - usar para enriquecer cores e eliminar reflexos
  • Usar self-timer para reduzir tremor com a câmera montada em tripé


quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Série Passos na Fotografia - Conceitos Básicos - Como Segurar a Câmera

Talvez seja algo natural para alguns, mas nem tanto para outros. Para quem está acostumado a fotografar com câmeras compactas ou smartphones, segurar uma DSLR pode não ser um ato tão natural, já que a ergonomia é muito distinta. Peso e balanço entre corpo da câmera e lente devem ser levados em conta para segurar a câmera da maneira mais estável possível e conseguir mais nitidez nos resultados. Há diversos textos e artigos disponíveis internet afora sobre o assunto, mas é possível que o usuário tarde em sentir esta necessidade, principalmente se é amador com pouco tempo disponível para praticar o hobby. Portanto, este post visa alertar os desavisados a respeito deste tema, pontuar alguns benefícios decorrentes de prestar mais atenção à maneira como se segura a câmera e fornecer algumas fontes interessantes para consulta.

Recomendo segurar bem o grip da câmera com a mão direita e apoiar a lente de maneira firme com a mão esquerda, envolvendo-a com os dedos. Fotografar utilizando o viewfinder resulta em um apoio extra à estabilidade.

Idealmente, a melhor condição para estabilizar uma câmera e conseguir a maior nitidez possível é utilizando um bom tripé como suporte. Fora disso, haverá impacto de movimentos em menor ou maior escala e que afetarão a imagem de alguma maneira. As principais variáveis fotográficas que influenciam os efeitos da falta de estabilização em uma foto são distância focal e velocidade do obturador.

Distância focal: Em linhas gerais, usa-se distâncias focais curtas para objetos próximos e longas para objetos distantes. Um dos resultados disso é o impacto do movimento da câmera na nitidez da imagem obtida. Uma analogia para o que ocorre seria um "efeito de torque", a distância maior amplifica a força exercida em um dos extremos. Ou, uma emprestada do site Cambridge in Colour, imaginar o efeito de balançar uma luz de laser em um objeto próximo vs um objeto distante.

Velocidade do obturador: A velocidade do obturador é escolhida, além de buscar a exposição correta, com base no movimento do assunto; se o objetivo é paralizar os movimentos, quanto mais rápido se move o objeto, mais rápida deve ser a velocidade do obturador. Para objetos estáticos não existe esta limitação de movimento. Entretanto, devido aos movimentos voluntários e involuntários do próprio fotógrafo, a velocidade não pode ser muito baixa, pois acentuaria a perda de nitidez na imagem.

A regra prática, neste caso, é não usar uma velocidade de obturador inferior à distância focal utilizada, considerando sensor full frame (35mm). Ou seja, para uma distância focal de 100mm, deve-se considerar uma velocidade mínima de 1/100s. Em caso de câmeras com sensores menores, o fator de crop deveria ser aplicado. Por exemplo, para uma câmera com sensor APS-C da Nikon cujo fator de crop é de 1.5, a velocidade mínima para uma distância focal de 100mm seria de 1/150s.

Quanto maior a distância focal, maior será o problema. É fácil perceber este efeito do movimento da câmera quando usamos o zoom óptico de compactas, superzoom ou até mesmo de celulares. Qualquer pequeno movimento é amplificado e a imagem sai borrada. As lentes com redução de vibração (VR, VC, IS, etc.) prometem reduzir os efeitos da vibração, axiliando o fotógrafo em situações de pouca luz. A prática de cada um com a própria lente vai determinar qual o seu limite mínimo. Particularmente, como uso câmera cropada (fator de 1.5x), considero sempre o mínimo de 2x a distância focal por garantia. Em situações do cotidiano, ao usar distâncias focais normais ou grande angulares em boas condições de luz, a velocidade estará muito provavelmente dentro do aceitável.

Algumas boas práticas difundidas para nos auxiliar nesta tarefa de conseguir fotos mais nítidas e, dentro das possibilidades de cada um, reduzir a velocidade de obturador utilizadas baseiam-se em estabilização e controle do próprio corpo.

Posição dos braços: para ajudar a estabilizar a pegada da câmera, uma das técnicas usuais é manter os cotovelos juntos, aumentando o apoio para suportar o peso do conjunto.

Apoio do corpo: uma outra forma de ajudar na estabilização corporal é apoiar-se em uma superfície sólida quando possível, seja apoiando-se em uma parede, sentando-se, ajoelhando-se no chão, etc.

Cotovelos próximos e juntos ao corpo e costas apoiadas na parede

Intervalos da respiração: alguns preferem prender após a inspiração e disparar, outros disparar logo após a expiração. Para mim, acho que funciona melhor pressionar o botão após expirar.

Pressão sobre o botão de disparo: pressionar o botão de forma sutil em lugar de um aperto com impacto também funciona melhor. Em geral, mantenho o dedo já apoiado na superfície do botão, não a ponta mas já a parte mais plana da falange com o dedo praticamente na horizontal, apenas finalizando o clique no momento escolhido.

Espero que o post sirva de alerta aos que ainda não se atentaram a este pequeno detalhe que interfere diretamente nos resultados, afetando a nitidez em casos mais sutis ou mesmo resultando em fotos borradas em casos extremos. Também, quando se fotografa com grandes aberturas e consequente pouca profundidade de campo, manter a estabilidade no momento do clique é fundamental para conseguir manter o foco no local desejado. Se tem uma combinação de distancia focal longa e grande abertura, a coisa torna-se um pouco mais crítica.

Encontrar a melhor maneira de segurar a câmera é algo bastante pessoal, motivo pelo qual deixo abaixo alguns links interessantes como referência para este tema.

domingo, 21 de agosto de 2016

Ruta de los Siete Lagos - Projeto N° 02/2016

A Ruta de los Siete Lagos é um dos passeios turísticos mais famosos da Patagônia argentina, ligando as cidades de Vila La Angostura e San Martin de los Andes. A região é incrívelmente linda, com uma grande quantidade de lagos e montanhas, o que oferece muitas oportunidades para fotografar. A ideia era aproveitar o Outono para poder capturar imagens com a folhagem com as tonalidades amarelas e vermelhas características da estação. O mês ideal seria Maio, mas devido a disponibilidade de folga no trabalho, a viagem foi realizada no meio do mês de Abril, ainda na primeira parte do Outono. Contudo, o que foi mais frustante foi a chuva, que intensificou bastante o frio e atrapalhou alguns momentos que poderiam ter rendido fotos bem melhores.

Como objetivos fotográficos desta viagem, tinha em mente melhorar em alguns dos aspectos identificados anteriormente (aqui). Na sequência, falo um pouco de cada um com algumas fotos de exemplo.

  • Cores: obter cores fiéis à realidade, ajustando o balanço de branco adequadamente no arquivo RAW posteriormente.
  • Exposição: obter melhores exposições considerando os limites de recuperação de imagem do sensor da câmera e fazer uso de múltiplas exposições para juntar posteriormente no pós-processamento.
  • Composição: tomar o tempo possível para pensar a composição, buscando melhor harmonia entre os elementos dentro do quadro.
  • Narrativa: conseguir ao final uma sequência de imagens entre natureza e família que dêem a dinâmica necessária para a um bom álbum de viagens.

Cores


Apesar de estar apenas no primeiro mês do Outono, já era possível observar a mudança de cor da vegetação, que assumia cores em tons pastéis amarelados e avermelhados. O céu nublado na maior parte do tempo conferia uma luz difusa que suavizava as cores, causa uma percepção mais fria e sutil. Não eram exatamente cores fortes como imaginava, mas bem diferente e peculiar. Portanto, o resultado final deveria ser bem próximo a isso e não como eu queria que fosse.   

Algumas plantas já apresentavam cores de outono bem evidentes, enquanto muitas ainda estavam verdes. Para quem não tem costume de vivenciar mudanças de estação assim tão características é chamativo. Tirei algumas fotos apenas para registrar essas cores.

 Capela de  Nossa Senhora da Assunção em Villa La Angostura. 24mm, f/5.6, 1/80s, ISO 800

Propriedade rural às margens do lago Correntoso. 24mm, f/8, 1/80s, ISO 100

Exposição


A exposição correta, obtida com base na medição da luz que ilumina a cena, é fundamental, mas nem sempre óbvia. Ela influencia diretamente nas cores e é determinante para conseguir uma boa fotografia. O céu nublado oferece uma luz difusa e suave, que é ideal para retratos de pessoas, obtendo-se bons tons de pele. Porém, para paisagens, eu acho que esfria muito as cores e tira um pouco da alegria da coisa. 

Como era condição presente durante toda a viagem, tentei aproveitar da melhor maneira possível e expor com o objetivo de transmitir o que se via na realidade e, quem sabe um dia, relembrar o que se sentia ao rever as imagens. 

Lago Lácar e nuvens sobre San Martin de los Andes. 17mm, f/8, 1/125s, ISO 200

A oportunidade também foi usada para fazer uma imagem resultante da combinação de 3 exposições diferentes. Com a câmera no tripé, foi feito um bracketing com intervalos de 1.7 EV e conseguir uma exposição para o céu, uma para o lago e outra para a areia.

Tronco de madeira às margens do lago Correntoso. Bracketing de 3 exposições.

Composição


Analisar melhor a cena através do OVF ou LCD antes de apertar o botão, ter em mente as regras clássicas (regra dos terços, alinhamento do horizonte, espaços negativos, etc.) e esolher o que usar com consciência é algo muito importante para conseguir fotos com consistência e não ao acaso. Durante a viagem foi possível tentar diferentes abordagens, tanto com respeito ao posicionamento dos elementos no quadro, como também das cores. Algumas imagens saíram bem, outras nem tanto, mas acho que foi possível aproveitar a oportunidade.

Capela de Nossa Senhora da Assunção. Luz, sombras e disposição dos objetos no quadro. 24mm, f/2.8, 1/100s, ISO 1600

Pier da praia de Quila Quina. Linhas paralelas e sombras entrando ao quadro. Daria para cropar um pouco mais e ajustar a perpendicularidade. 24mm, f/8, 1/160s, ISO 100

Curral e ovelhas posicionados de maneira harmônica em meio à vegetação e montanhas. Alto contraste intencional. 26mm, f/8, 1/125s, ISO 100

Narrativa


Acredito que um dos objtivos da fotografia de viagem é contar uma história, registrar momentos importantes e marcantes que faça sentido quando revisamos as fotos tempos depois. Ou, ainda, que sirva de referência para outras pessoas, mas não apenas das atrações turísticas principais. Viagem em família é ainda mais especial, pois tempos depois os filhos estarão mais velhos, assim como nós, e rever-nos em meio ao ambiente fotografado certamente ajudará a reacender as lembranças.

Portanto, acho que as fotos não devem ser apenas de poses forçadas junto aos pontos ressaltados nos guias de viagens, mas também o registros de tudo o que nos chama a atenção ao longo da viagens. Nem todas as fotos saíram exatamente como desejado, mas acho que o controle do processo já está bem mais natural e identificar os erros ajuda muito a seguir melhorando.

24mm, f/5.6, 1/80s, ISO 800

35mm, f/5.6, 1/125s, ISO 200

34mm, f/8, 1/125s, ISO 200

Crop de uma porção da imagem original. 50mm, f/8, 1/250s, ISO 100

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Série Passos na Fotografia - Conceitos Básicos - Fotometria

Fotometria é um dos temas mais básicos e cruciais da fotografia, que gera muitas dúvidas quando começamos a fotografar com um pouco mais de interesse e com o objetivo de obter resultados consistentes tendo controle sobre o processo, sem depender tanto do automatismo das câmeras. Há muita informação disponível na internet e em livros com diferentes abordagens. Depois de ler algumas fontes e tentar colocar em uso os conceitos, achei interessante fazer um resumo do meu entendimento sobre o processo de fotometria na prática e das considerações para conseguir a melhor exposição de uma determinada cena. Para atingir resultados consistentes é necessário realizar a medição da luz tendo em conta o sistema de medição da câmera e ajustar os parâmetros do triângulo de exposição (abertura, velocidade do obturador e ISO) de acordo com o resultado desejado. No último post da série fiz uma primeira abordagem bem básica desse tema.

Quando começamos a fotografar, geralmente, associamos a exposição perfeita à posição central do fotômetro da câmera, o zero. Embora os sistemas de medição das câmeras tenham evoluído bastante e os modos matriciais associados a sensores de detecção de rostos e cenas somarem-se na estimação da exposição adequada, em situações extremas (objetos muito escuros ou muito claros), a intervenção do fotógrafo é fundamental.

Fotômetro das Câmeras Digitais


O primeiro passo para entender um pouco a teoria da coisa é saber que os fotômetros das câmeras medem a luz refletida pelo assunto e tem como referência o cinza médio 18%. De uma maneira superficial, isto quer dizer que será considerado como o "zero" do fotômetro a luz refletida que mais se aproxima da tonalidade deste cinza médio. Porém, quando a cena sai muito deste médio e vai a extremos, muito branco ou muito preto, a câmera tende a aproximar tudo da referência do cinza. Assim, o resultado fica subexposto no caso dos brancos ou superexposto no caso dos pretos.

Normalização realizada pelo fotômetro da câmera.

Assunto branco com fotômetro em 0 (zero) resulta em subexposição

Assunto preto com fotômetro em 0 (zero) resulta em superexposição

Para contornar esta situação na prática, a solução é modificar o resultado proposto pela câmera como fotometria correta ou zero. No caso de cenas com tonalidades mais claras, deixar o fotômetro acima do zero (+) e, no caso de cenas com tonalidades mais escuras, deixar o fotômetro abaixo do zero (-).

Com fotômetro corrigido em +2 stops, o cachorro fica realmente branco

Com fotômetro corrigido em -2, a bolsa fica em sua cor original

Um acessório bastante útil para ajudar no processo de fotometria é o cartão cinza, que pode ser utilizado como referencia para "zerar" o fotômetro, assim como ajustar o balanço de branco, medindo-se a luz refletida por ele.

Cartão cinza, acessório comum, muitas vezes acompanhado 
de cartões branco e preto para auxiliar no ajuste de cores

Outro acessório que pode ser útil para contornar as limitações dos fotômetros das câmeras é o fotômetro de mão, que mede a luz incidente em vez da luz refletida, determinando os melhores valores de abertura, velocidade e ISO.


Fotometro de mão

São acessórios bastante úteis para fotografar em ambientes com luz controlada e cena preparada, como estúdio ou algum ambiente doméstico, mas pouco práticos ou até mesmo inviáveis para outros tipos de fotografia, quando não se pode prever ou preparar a cena ao seu próprio gosto. Aí, o processo tem que ser mais intuitivo.

Modos de Medição


Os fotômetros das câmeras digitais contam com diferentes modos de medição pensados para auxiliar o fotógrafo na tarefa de fotometrar uma cena. Cada fabricante de câmera tem seus modos de medição particulares e que podem ou não serem análogos aos de outros fabricantes. Geralmente, Nikon e Canon usam sistemas bastantes similares, assim como Pentax, Sony, Fuji, etc. tem as suas variações. Tomarei como exemplos os modos de medição disponíveis na Nikon D7000 e fica a dica de verificar no manual da camera que estiver em uso como funcionam os modos de medição disponíveis.

Localizada (Spot): A camera considera um círculo de medição de 3.5mm de diâmetro centralizado no ponto de foco, sendo possível realizar medições em pontos fora do centro do quadro. É bastante útil quando se desejar ter mais controle sobre o fotômetro da câmera, já que é possível verificar individualmente distintos elementos da cena a ser registrada. Indicado quando o fundo é muito mais claro ou mais escuro que o assunto principal.

Central Ponderada (Center-weighted): A câmera mede todo o quadro mas atribui uma ponderação maior à área central. É possível customizar o tamanho da área central no menu da câmera. Indicada para retratos, quando o assunto principal ocupa maior parte da cena.

Matricial (Matrix): A câmera mede uma grande porção do quadro e seleciona a exposição de acordo com a distribuição de tons, cores, composição e, com lentes tipo G e D, informação de distância. Produz um resultado natural na maioria das situações. É o modo mais automatizado dos 3.

Símbolos dos modos de medição da Nikon (em ordem): Matricial, Central ponderada e Localizada

Sistema de Zonas de Ansel Adams


Apesar de não ter aprofundado tanto quanto gostaria neste tema, entender basicamente como funciona o sistema de zonas desenvolvido por Ansel Adams e Fred Archer foi extremamente importante para dar o próximo passo com respeito a fotometria. O sistema assume a distribuição do range de tonalidades possíveis de se capturar em 11 zonas separadas por 1 stop (ou 1 EV) entre si. Há variações com 9 ou 10 zonas, mas que tem o mesmo princípio. A notação utilizada divide as tonalidades desde puro preto até o puro branco em zonas numeradas com algarismos romanos.

Sistema de Zonas.

As tonalidades de cinza médio estariam posicionadas no centro do sistema, na zona V, para baixo as tonalidades mais escuras e para cima as tonalidades mais claras, brevemente descritas da seguinte maneira:

Zona 0: Preto puro, sem detalhes.
Zona I: Próximo ao preto puro, leve tonalidade, mas sem detalhes.
Zona II: Esta seria a primeira zona onde detalhes começam a aparecer, a parte mais escura de uma imagem.
Zona III: Onde estariam alocados os objetos escuros mais comuns.
Zona IV: Paisagens escuras.
Zona V: Cinza médio, referência para o fotômetro da câmera.
Zona VI: Tons de pele comuns de pessoas brancas (caucasianos).
Zona VII: Tons de pele muito brancos, sombras na neve.
Zona VIII: Tonalidades mais claras onde se pode encontrar algum tipo de textura.
Zona IX: Tonalidades claras onde já se perdem texturas (neve brilhante).
Zona X: Puro branco, sem detalhes.

Com as limitações das câmeras digitais, a nossa atenção como fotógrafos estaria mais concentrada entre as zonas III e VII, na tentativa de compensar e conseguir melhores fotos, embora os sensores mais modernos permitem recuperações de exposição notáveis, de até 5 EV em alguns casos. Para favorecer um bom entendimento, os gráficos abaixo resumem bem a relação entre as zonas e o fotômetro da câmera e como as tonalidades de cores entram em jogo.
As zonas e compensações na medição das câmeras

As zonas e tonalidades de cores

O Sistema na Prática


Com o sistema de zonas em mente, podemos aproximar os assuntos fotográficos das zonas correspondentes e assim corrigir o fotômetro da câmera quando necessário. Para quem fotografa em modo manual, isso seria possível alterando-se os elementos do triângulo de exposição e, para quem fotografa nos modos semiautomáticos, utilizando-se a compensação de exposição [+/-]. Inicialmente, é um processo baseado em tentativa e erro até que, com a prática, fica mais natural estimar o quanto deixar o fotômetro em sobre ou subexposição. Os sensores modernos permitem uma boa margem de ajuste em softwares de pós processamento, mas conseguir um resultado satisfatório já na câmera é importante tanto para reduzir o trabalho na pós quanto para utilizar em situações onde não se poderá realizar ajustes na fotos, assim como, principalmente, evitar perder fotos de maneira que não se possa recuperar posteriormente.

Em uma determinada cena, analisar como as diferentes tonalidades se relacionam com o sistema de zonas é um exercício interessante e que resulta em uma exposição mais consistente. No link de referência número 5 ao final deste post, existe uma série de exemplos da aplicações práticas que ilustram como fazer uso do sistema de zonas em variadas situações fotográficas do dia a dia. A imagem abaixo é um exemplo.


Exemplo de zonas em uma paisagem. Foto: Claudio Mufarrege


Como já mencionado anteriormente, os sensores modernos permitem ótima recuperação de altas luzes e sombras, sendo possível recuperar exposição poteriormente desde que não se extrapole os seus limites. Situações que superam o alcance dinâmico do sensor, demandam o uso de múltiplas exposições (bracketing) e junção posterior no pós processamento ou um filtro de densidade neutra graduada para equalizar os extremos e manter a imagem dentro das possibilidades do sensor.

Fontes e links de referência:
  1. Cambridge in Colour - Camera Exposure
  2. Cambridge in Colour - Camera Metering & Exposure
  3. Tutplus - Grey Card
  4. Digital Photography School - How to Use the Zone System
  5. Tutuplus - Understanding & Using Ansel Adams' Zone System
  6. Livro: Understanding Exposure, Bryan Peterson